Poesia em mim não explode
Como um mal que não eclode
Chega, aguarda, e incuba
Machuca, adoenta, sacode
Eu a digiro e sou digesto
Sobram gostos manifestos
De borra, pedaços, restos
Que vomito, sufocante
Noutro tempo, num instante
Em um dia, inaudito,
Que, sem querer, regurgito
Solto verbos, saem gritos
E formam-se os versos,
Que sem querer, poetifico,
e, sua mensagem, identifico
Como a cura de um mal
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© Ronaldo Souza - 2007
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