Thursday, May 04, 2006

A nova "Derrama"

Brasil e Portugal são diferentes, mas ambos têm um ramo forte semelhante na formação. Herdamos dos portugueses, colonizadores, uma forte influência. Depois fomos submetidos a uma mistura grande: os escravos africanos, os índios, a colonização européia, algumas gotinhas de holandeses, franceses, alemães, italianos; poloneses, mais a presença asiática com os chineses, japoneses; o oriente com turcos, árabes, judeus.

Difícil dizer hoje o que é o homem brasileiro, principalmente pela nossa maneira de encarar as diferentes raças, sem separá-las, mas proporcionando um entrecruzamento que formou essa mistura que hoje somos. Como gostam de dizer: somos o resultado desse cadinho de culturas.

Fico vendo a mudança que proporcionou a Portugal a sua inclusão no mercado comum europeu, o quanto Portugal está diferente hoje de alguns anos atrás. Estive no país no princípio desse processo, e posso dizer que o país saltou cinquenta anos em cinco. A verdade é que, como todos os povos, o que se precisa é de um choque de gestão e da injeção de recursos, sem os quais não se faz nada.

O Brasil continua procrastinado, na situação de país emergente, tendo em vista a política economica praticada, que, embora digam que é uma escolha do governo, também é fruto das pressões externas. Toda a economia mundial deseja ganhar e ganhar muito. Quando aparece um "trem pagador" do porte do Brasil, quem é que dá uma de bonzinho?

Nos último anos pagamos verdadeiras fortunas a guiza de juros das dívidas interna e externa, enquanto os paises civilizados do mundo pagavam 2 ou 3% ao ano, nós chegamoa a pagar 24%! E eu pergunto, por quê? Taxas de risco, dizem, risco de quê? Se sempre receberam o seu! É o tipo de seguro que se cobra mas quem paga não pode usar a apólice, um seguro de vida que só vale se o segurado não morrer.

Você paga uma taxa imensa, uma taxa que é uma usura pelo risco de não pagar, só que você não pode deixar de pagar, logo, eu pergunto, qual a razão de cobrar essa taxa? Sobrevivemos e estamos vivendo assim, mas o resultado é visível: acabou a classe média no Brasil. Não há mais como arrancar dinheiro de impostos do povo; paga-se 40% sobre o PIB de impostos e recebe-se zero de serviços do governo, a dívida consome mais de 60% dos impostos. Até quando irá essa "derrama"?

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